Cabo Verde: a economia nacional com um novo Governo

Cabo Verde

A economia nacional com um novo Governo

    Em abril de 2016, 10 meses atrás, Ulisses Correia e Silva tomou posse como primeiro-ministro de Cabo Verde. O novo ocupante do cargo representa uma alternância de poder no país: o Movimento para a Democracia (MpD), de centro-direita, obteve maioria absoluta de votos após 15 anos com o papel de oposição. Dentre seus compromissos eleitorais em matéria econômica, o atual Governo de Cabo Verde prometeu a promoção do ambiente de negócios e da competitividade fiscal, a simplificação da burocracia e estímulos fiscais ao investimento estrangeiro e estímulos a PMEs nacionais. Dentre os setores produtivos, o Correia e Silva considera como prioritários o Turismo, a Agricultura e o Comércio.

    Com o objetivo de compreender melhor a situação da economia nacional de Cabo Verde quase um ano após a posse do novo Governo, reunimos a seguir 14 gráficos e mapas que mostram a evolução recente dos principais indicadores econômicos, sociais, políticos e empresariais do país.

    Após três anos seguidos de pouco crescimento, a economia de Cabo Verde recuperou um ritmo mais acelerado em 2015. Como é possível ver no gráfico ao lado, os níveis de crescimento anual do PIB ficaram abaixo de 2% entre 2012 e 2014. Por outro lado, esse indicador subiu para 3,46% em 2015. De acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB cabo-verdiano cresceu 3,65% em 2016 e deve manter níveis semelhantes pelo menos nos dois anos seguintes. Os principais motivos para esse desenvolvimento incluem o bom desempenho do setor turístico, o crescimento da oferta de crédito privado e a recuperação da zona euro, dentre outros.

    Os gastos do Governo, um dos principais fatores no cálculo do PIB, seguiram um padrão semelhante ao crescimento econômico. Como é possível ver no gráfico ao lado, esse indicador caiu em 2013 e 2014, mas volto a crescer em 2015. Segundo estimativas do FMI, os gastos públicos cresceram cerca de 5% em 2016 e devem aumentar aproximadamente 9% em 2017.


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    O nível de desemprego, um dos temas de maior destaque do novo Governo de Cabo Verde, passa hoje por um período de queda. Como é possível observar ao lado, quantidade de pessoas em idade ativa sem emprego declarado atingiu 16,8% do total, mas esse número caiu consecutivamente desde então, chegando a 12% em 2014. De acordo com estimativas do FMI, o desemprego continuou a cair nos anos seguintes, descendo para 10% em 2015 e 9% em 2016. Mesmo assim, é importante considerar que o setor informal representa cerca de 12% do PIB do país, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

    A Inflação em Cabo Verde passou por considerável instabilidade nos últimos anos. Como observado ao lado, o país passou por deflação em 2014, quando os preços da cesta básica caíram 0,24% em relação ao ano anterior. De acordo com estimativas do FMI, por outro lado, a Inflação deve ser bem controlada nos próximos anos, com previsão de 1,03% em 2015, 2,53% em 2016 e 2,54% em 2017.

    Do ponto de vista da Inflação medida mês a mês, no entanto, nota-se que Cabo Verde voltou a vivenciar uma deflação. Como representando no gráfico à esquerda, a variação homóloga de preços foi negativa nos últimos 13 meses com dados disponíveis. Em novembro de 2016, os preços da cesta básica do país registraram uma queda de 1,3% em relação ao mesmo mês no ano anterior.


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    Apesar da instabilidade observada na Inflação, a taxa de juros não sofreu nenhuma variação recente por parte do Banco de Cabo Verde, entidade responsável por definir esse indicador. Como visto ao lado, a taxa de juros atual está fixada em 7,5%, o mesmo valor desde fevereiro de 2015.

    Em termos cambiais, o Escudo Cabo-Verdiano (ECV), moeda oficial do país, variou de maneira significativa nos últimos meses. Como é possível notar ao lado, o valor de um Dólar dos EUA manteve-se em torno de 100 ECV entre julho de 2015 e março de 2016. Nos dois meses seguintes, no entanto, esse valor caiu pouco mais de 4%. Entre junho e outubro do ano passado, por outro lado, o valor de um Dólar voltou a se manter em torno de 100 ECV. Nos últimos meses de 2016, esse valor passou a crescer de forma constante. Em janeiro, por fim, houve mais uma queda.


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    A atratividade de investimento direto estrangeiro (IDE) em Cabo Verde passa por um período de queda após seguidos anos de crescimento. Como observado à direita, a entrada desse fluxo de capital aumentou mais de 400% entre 2004 e 2013, quando atingiu a marca de US$ 1,64 bilhão. Nos dois anos seguintes, no entanto, a atratividade de IDE caiu 9%, descendo para US$ 1,46 bilhão em 2015.

    Assim como a entrada de IDE, as exportações de Cabo Verde enfrentam uma queda após um período de acelerado crescimento. Como visto ao lado, a venda de bens e serviços ao exterior teve uma forte queda em 2008, mas subiu de forma constante, com exceção de 2013, entre 2009 e 2014. Em 2015, por outro lado, as exportações totais de Cabo Verde caíram 40%, descendo para US$ 215,24 milhões. Essa recente descida nas vendas ao exterior foi puxada, principalmente, por quedas das exportações de pescados e seus preparados e de petróleo.


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    As importações, por sua vez, também passaram por uma queda em 2015. Assim como é possível observar à esquerda, as compras de bens e serviços estrangeiros enfrentaram diversos períodos de subidas e descidas na última década. Em 2015, esse indicador caiu 21% em relação ao ano anterior, descendo para o valor total de US$ 606,3 milhões. Essa instabilidade é, em grande parte, explicada pela pequena dimensão da economia cabo-verdiana.



 

    Do ponto de vista dos destinos e dos produtos, as exportações de Cabo Verde vivem forte dependência. Como visto no mapa acima, as vendas de bens e serviços ao exterior são muito concentradas em Portugal e Espanha, que representaram, somados, quase 50% das exportações totais de 2015. Mesmo assim, houve uma considerável queda da dependência nesses dois países, que haviam sido os destinos de 80% das exportações no ano anterior.

    O gráfico à esquerda, por sua vez, demonstra uma grande concentração das exportações em poucos bens. Em 2015, último ano com dados disponíveis, o petróleo bruto foi responsável por 37% do valor total exportado, enquanto peixes e seus preparados foram 27%.



 

    No âmbito das importações, há uma menor dependência em países ou em categorias de produtos. O mapa acima demonstra que as compras de produtos ou serviços estrangeiros é originária de um variado número de países. Mesmo assim, Portugal foi, sozinho, responsável por mais de 43% do total registrado por esse fluxo em 2015.

    As categorias de bens importados, por sua vez, demonstram uma baixa concentração. Como Cabo Verde consiste em uma pequena economia pequena, há uma necessidade de comprar uma grande variedade de bens do exterior. O Petróleo, produto de mais peso na lista, representou 13% do total importado em 2015.

 

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